Jovens descolados, com um bom poder aquisitivo, bonitos, magros e populares parecem ser alguns dos ingredientes essenciais para a fórmula do sucesso da grife americana Abercrombie & Fitch. Tanto que, de tão consolidada que está essa “imagem”, parece que o presidente da marca, Mike Jeffries, nem se preocupa em expor as suas opiniões sobre o público-alvo desejado. Há alguns dias, Mike causou polêmica ao dizer que não vende roupas em tamanhos maiores para não associar a imagem da marca à pessoas “gordinhas”. Como se não bastasse a infeliz opinião, ele ainda deixa bem claro: quer que a sua marca seja usada somente por pessoas bonitas, populares, magras e de boa atitude.
Há uma grande diferença entre o consumidor real e o público-alvo desejado. O consumidor real nem sempre faz parte desse “público”, mas é quem ajuda a manter a marca. Um exemplo claro são os casos de celebridades que são impedidas de comprar um produto em uma loja, pelo simples fato de denegrirem a imagem da marca. O dono tem todo o direito de não gostar (por exemplo, que uma funkeira use a bolsa de sua grife superchic…), mas não pode impedir se a mesma tenha condições de comprá-la. O caso da Abercrombie põe em cheque o que muitas outras grifes já praticam há tempos no mercado: a opção por não fabricar peças acima do manequim G (salvo as marcas que já tentaram e tiveram muito dos seus produtos encalhados nessa numeração, por não representarem o gosto desse público).
O mais irônico de tudo isso, é que o próprio texto institucional da empresa diz que “a diversidade e a inclusão são as peças-chave para o sucesso da organização”, o que, de fato, não representa a realidade. O que podemos perceber, em geral, é que o consumidor da Abercrombie é quase sempre o mesmo: pessoas que usam a marca para não serem “excluídos” do grupo que vivem ou almejam pertencer. É o típico “se a garota popular da escola usa, vou usar também”.
E aqui no Brasil, a polêmica acabou virando uma divertida campanha, o “Abercrombie Popular“. Um Tumblr foi criado para coletar doações de roupas da marca e estas são doadas para moradores de rua em São Paulo que topam posar em fotos cheias de estilo:


Bacana, não? E que toda essa polêmica sirva como inspiração para que as marcas cada vez mais apostem na inclusão de novos tamanhos e na padronização das medidas de suas peças. Porque, também, de nada adianta fabricar GG, usando medidas de uma pessoa que veste M, não é verdade? Mas isso já é um longo assunto para um próximo post… E vocês, o que acham?